segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Capítulo VIII - Sábado à noite

No fim do jantar Luísa vestiu os casacos a Carlos e Maria Antónia, as crianças estavam contentes por saber que iam dormir a casa da mãe. Sim, à casa da mãe, pois a casa deles passara a ser a casa da avó. Aquela mudança repentina da mãe não os assustava, elas já tinham visto fotografias de quando a mãe era mais nova e parecia que de um momento para o outro tinha saído do álbum da avó e estava ali com eles. Reconheciam-lhe a voz, apesar das poucas palavras que diziam, reconheciam-lhe o toque doce, reconheciam-na como a mãe que os amava.

Quando chegaram o Perdido saudou-mos, Carlos gostava mais de cães, mas Maria Antónia correu a pegar-lhe, simplesmente adorava o que daquele pelo e o som do ronronar.

Viram um pouco de televisão, Luísa ficou admirada com a quantidade de canais, as contas eram pagas por débito directo e apesar de raramente ligar a televisão ou usar a internet nunca tinha cancelado o pacote que António subscrevera. De facto, apesar da sua vida humilde, Luísa tinha condições para viver uma vida despreocupada, o seu ordenado não era muito elevado, mas dele pouco gastava e tinha uma boa pensão do marido, António tratara de fazer um bom seguro, o qual assegurava que Luísa e os filhos teriam uma vida estável caso algo lhe acontecesse.

- Vá meninos, a casa de banho já está quente e a tia Nazaré já está quase a dormir no sofá.
- Isso querias tu, vais dormir com as crianças, eu prefiro outras companhias. - Nazaré piscou o olho à irmã e pegou na carteira
- Vá meninos, beijos na tua Nazaré e banho!
- Venham cá meus lindos! - Nazaré abraçou e beijou as crianças que sem seguida correram para a casa de banho.
- E eu também tenho direito a beijos e abraços? - Luísa falou meio a sério, meio a brincar, na realidade começava a sentir falta de ser tocada, mesmo pela irmã.
- Claro, maninha, para ti há sempre beijos e abraços...
- Vai lá matar a ressaca, tens nicotina escrito na testa. Vê se dormes, não faças nada que eu não fizesse!
- Estás com umas piadas... Amanhã se acordar ligo-te. Fica bem!

Os miúdos já estavam a chapinhar na banheira, Luísa olhava-os apercebendo-se de como tinham crescido e como se tinham tornado independentes. Estava contente com a presença deles, mas ao mesmo tempo entristecia-se ao perceber o que tinha perdido e tudo a que não tinha assistido. Assustava-se com a ideia de agora que assumira voltar a ser o que fora pudesse querer recuperar tudo de uma só vez, receava cometer erros, pensava em João, mais do que gostaria, e em como aquele beijo a tinha despertado para a vida. 

Com muitos risos e agitação ajudou as crianças a vestirem os pijamas e foram para a cama. O gato segui-os, enroscando-se ao fundo da cama. Luísa, Carlos e Maria Antónia adormeceram entre mimos e risos, os três dormiram como bebés.

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