Nazaré entrou a porta de casa dos pais com o seu ar confiante de sempre, Luísa, mais tímida seguiu-a. Sabia que a mãe iria comentar o seu novo visual, estava assustada, sabia que as crianças iam dizer "a mamã está bonita", mas sentia também que o vento forte que soprava lá fora era o início de uma tempestade que iria durar muito tempo.
- Finalmente, Nazaré, pensei que te tinhas esquecido onde fica a casa dos teus pais.
- Boa noite mãe, tens sempre algo agradável a dizer. - Piscou o olho ao pai e abraçou-o - Onde estão os meus sobrinhos lindos?
- Devem estar a brincar no quarto, - disse Luísa timidamente, - vai espreita-los.
- Meu Deus rapariga, és mesmo tu? - O pai de Luísa sorria excitado ao ver a filha tão bonita. - Voltaste a ter 30 anos e aparentar 25, estás fantástica!
- Não deites foguetes, Manuel, amanhã ela volta a esconder-se atrás das roupas velhas...
- A Nazaré tem razão, mãe, tens sempre algo agradável a dizer... Vou levar as prendas aos meus bebés.
Maria Antónia e Carlos saltavam na cama com a tia Nazaré. Pareciam 3 crianças, não fosse o 1,75 metros de Nazaré e estariam 3 crianças em cima da cama...
- Vá lá, ao menos tiraste os sapatos...
- Mamã, anda saltar! - disse Maria Antónia estendendo a mão à mãe.
- A mamã não salta, - disse Carlos - a tia é que salta.
Luísa deu a mão à filha e sentou-se na beirinha da cama, mas Maria Antónia não saltou mais, começou a observar a mãe levando o dedinho indicador à boca.
- Estás diferente mamã, pareces uma bonequinha...
- Obrigada filha, mas tu é que és uma bonequinha, a mamã só cortou o cabelo e comprou roupas novas.
- Também quero!
- E a mamã trouxe montes de prendas, para ti e para o mano...
- Sim! - Gritou Maria Antónia e voltou a saltar.
- E sabem que mais, depois do jantar vamos para casa, hoje vamos dormir os três e amanhã vamos passear...
As crianças ficaram loucas de alegria, abriram os presentes como se fosse Natal, havia roupas, brinquedos, guloseimas...
- Vá meninos, toca a lavar as mãos e vamos jantar, a tia Nazará hoje janta connosco.
- E tu também jantas, mamã? - Perguntou Carlos.
- Janto filho, a partir de hoje muita coisa vai mudar!
Desceram as escadas e sentaram-se à mesa, era massa com frango, um dos pratos preferidos das crianças. Jantaram alegremente e no fim Luísa explicou aos pais que queria levar os filhos a dormir a casa e que pretendia voltar a ser o que havia sido, mas precisava da ajuda deles. Nazaré não disse nada, limitou-se a olhar fixamente a mãe com aquele olhar matador que sabia fazer, apenas para ter a certeza de que ela não ia interromper a irmã.
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