terça-feira, 23 de novembro de 2010

Capítulo V - Mais uma noite em claro

Luísa dirigiu-se a casa em passo apressado, entrou no prédio, fechou a porta e subiu ao 3º andar. Assim que abriu a porta o Perdido espreguiçou-se daquela maneira que só os gatos sabem fazer e veio ter com ela. Pegou-lhe ao colo, pousou a carteira e o casaco, agarrou um pacote de bolachas e foi sentar-se no sofá. À sua frente tinha um grande LCD o qual tinha por hábito transformar em muldura fotográfica a partir da box. Pegou no netbook e debicou uma bolacha.

Todos os aparelhos de alta tecnologia que tinha em casa, alguns já ultrapassados, outros ainda actuais, haviam sido comprados por António, Luísa não lhes ligava nenhuma, com excepção do netbook que apesar de se ter fartado de gozar aquando da compra por ser pequeno e ter formato de torradeira, era agora o seu companheiro de todas as noites.

Luísa, como muitas mulheres sozinhas, vivia uma outra vida no mundo virtual, estava envolvida em redes sociais, causas solidarias e tudo o que lhe servisse para ocupar a mente. Dormia muito pouco e a noite era sempre muito longa.

Pensou em fazer uma listado que precisava de comprar, olhou-se da cabeça aos pés e pensou: - Preciso de tudo, a Nazaré vai consolar-se com tantas compras.

Puxou a manta e recostou-se. Abriu o netbook e o Perdido esticou-se nas suas pernas. Comeu mais uma bolacha e entrou no seu mundo paralelo.

Começou a ver o dia a amanhecer, levantou-se e foi fazer café. Nazaré chegaria cedo, mesmo que sem dormir, não perderia um minuto de um dia de compras.

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